quinta-feira, 28 de junho de 2012

Cedo demais ...



Era um dia de verão. Conversávamos sobre nossas bandas favoritas e as coisas que gostaríamos de fazer aos 18 anos. Meu all star branco brincava com o seu all star preto, num balançar de pés típicos de adolescentes de 15 anos. Dois opostos que se encaixavam, se combinavam. E você me disse que eu era a sua amiga favorita e que gostava de mim. E disse que gostava de mim mais do que dos seus cds dos Ramones. Me beijou ….

E eu esperava por esse beijo desde a primeira vez que te vi. Andamos de mãos dadas na beira da praia. E um dia você me surpreendeu dizendo que me amava. E eu te disse o mesmo. Um dia eu te surpreendi indo naquele show de rock escondido dos meus pais só para te ver. Você não sabia que eu iria e se assustou quando eu cheguei, pulei em você e te abracei. Um dia nos encontramos por acaso no shopping. Você com a sua irmã e eu com a minha melhor amiga. E ao te ver, senti o mesmo tremor nas pernas de quando ficamos pela 1a vez. Um dia brigamos e você me procurou para fazer as pazes. Disse para eu não brigar mais com você. Eu e meus ciúmes bobos … Um dia você machucou o pé e eu cuidei de você. Um dia eu faltei na escola por estar doente e você apareceu na minha casa preocupado. Havíamos marcado um cinema neste dia. Foi você que me ensinou raiz quadrada. E eu te ensinei como usar a crase. A professora de inglês trabalhou aquela música do aerosmith que foi trilha do filme armageddon – 1o filme que vimos juntos- em sala e lembramos um do outro. Você usava camiseta de banda e eu tinha os cabelos vermelhos. E havia quem dissesse que eramos feitos um para o outro e que eu não deveria te abandonar jamais.

Mas foi você que foi embora. Arrancado de mim e de todas as pessoas que gostavam de você. Foi você que estava naquele carro. Era você que estava ao lado direito do banco de trás. Foi você que o outro carro machucou. Foi você que passou dias em coma. Foi você que estava na UTI. Foi você que foi embora e nos deixou uma semana depois do acidente. Foi você que me abandonou e abandonou todos que gostavam de você.

Tenho até hoje guardado o ingresso do 1o filme que vimos juntos. Don't wanna close my eyes ainda é a minha música favorita. Mudei de cidade. Cortei o cabelo e depois deixei crescer de novo, só para cortar de novo. Continuo gostando do Joe Perry. Não sinto mais ciúmes. Nenhum quadro meu fez sucesso e ainda não sou a escritora que te disse que seria um dia. Passei a gostar de ameixas pretas. Ainda me lembro das tardes que passamos juntos depois da aula. E ainda me lembro de você dizendo que gostava de mim como gostava do seu cd dos Ramones.

Parece injusto que em um mundo em que as pessoas não fiquem com outras por capricho, a pessoa que eu queria ficar não tenha ficado comigo não porque não ela queira, mas porque ela morreu. Não tem nada a ver com aparecer outras pessoas na nossa vida ou por termos brigado por alguma bobagens. Tem a ver com não estarmos mais no mesmo mundo.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Como fazer um homem se arrepender de dar um toco?






Ele pegou na minha mão e com lágrimas – de crocodilo- me disse que não poderíamos mais ficar juntos. Emendou aquelas frases típicas dos homens que nem vale a pena eu comentar.

Eu levantei e tentei manter um ar de superioridade e alguma sanidade para:

a) Não esganá-lo
b) mandar ele tomar no forevis
c) me jogar no chão e aos berros dizer: -por favor,não me abandone!!!

Em vez disso, respirei fundo e disse que tudo bem e que fosse feliz. E nunca mais o procurei e nem fiz nenhuma dessas coisas patéticas que as mulheres fazem quando são abandonadas:

Não liguei pedindo para voltar;
Não mandei mensagens e nem passei trotes de madrugada,
Não ameacei cortar os pulsos;
Não mandei para ele um buquê de cravos (mas confesso, cheguei a comprar um e escrever um singelo cartão com a seguinte frase: Eu quero mais é que você morra sofrendo, desgraçado!!)
Não segui ele e nem nada;
Não dei voadora na sua mais nova cara metade.

Hoje eu me arrependo. Sabe por que?

Porque eu estava bem bonitinha no meu canto e ele que veio de conversa. Eu só estava sendo legal e ele me beijou. Eu estava afim de curtir a vida e ELE sugeriu um namoro. ELE disse que gostava de mim. ELE, ELE E ELE.

E quando eu comecei a gostar a brincadeira, ele resolveu terminar tudo e me mandar direto para o planeta das mulheres abandonadas e alcoólatras. A paixão é mesmo uma cadela sem coração ….

É por isso que eu digo: NADA DE BANCAR A INDIFERENTE. Sem essa de ser superior. Se o camarada resolveu partir seu coração, infernize a vida dele. Mande bilhetes, quebre o vidro do carro dele, espalhe que ele tem o p** pequeno e que gostava de fio terra. Ligue dia sim, dia não dizendo que vai se matar, que vai jogar casca de banana no caminho da vovozinha dele, faça barraco quando ele estiver bancando o sedutor com a nova namorada, sequestre o cãozinho pulguento dele, seja cruel, louca e o mais escandalosa que puder. Faça o cara se arrepender de ter cruzado o seu caminho. Sabe por que???

Porque você estava no seu canto e ele que começou essa piada toda.... Está na hora de os homens sofrerem as consequências de partirem corações por aí. Ser superior e fingir que está tudo bem só torna as coisas mais fáceis para eles e, acredite, homem nenhum merece que você deixe um fora passar em branco.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O homem ideal





Um dia um amigo me contou sobre o seu melhor relacionamento:

“ Depois de transarmos, ela fazia o meu prato favorito ...”

E me lembrei de alguém que sempre me dizia: Para conquistar um homem, chegue pelada com um prato de comida. Agora vejo que a frase faz sentido.

Me peguei pensando qual seria o meu melhor relacionamento.

Com o surtado do meu 1o namorado? Não, muito feio e ciumento.
Com aquele tatuado bom de cama? Não, tinha problemas com a lei.
Com o protótipo de bom rapaz? Não, com ele não podia beber.
Com o professor de espanhol? Nem a pau, esse bebia demais.
Com o mais bicha que perdia tempo no espelho? Não, era bicha.
Com o gringo alto? Não, era analfabeto.

Cheguei a conclusão que o meu melhor relacionamento é aquele platônico que mantenho com o Wagner Moura. Esse sim é dos bons:

- Só aparece quando estou de banho tomado e afim de chamego;
- Assiste os filmes que eu gosto, mesmo que a obra seja de um espanhol gay obcecado por mulheres ou uma pancadaria cult.
- Me deixa em paz quando eu estou afim de fazer coisas femininas, como tirar a sobrancelha ou pesquisar qual será a maquiagem da moda ou uma receita de peixe ao molho de maracujá;
- Não tem FB para alimentar a minha úlcera;
- Sabe exatamente o que dizer, onde pegar e onde DIABOS FICA A PORRA DO PONTO G;
- Sabe escolher um vinho;
- Diz que eu sou linda e magra, mesmo que seja mentira;
- Tem um senso de humor afrodisíaco;
- Aquela voz grossa no meu ouvido a noite falando coisas impublicáveis...

Entre otras “cositas” más...

(Super desejo aquela cena de Cidade Baixa onde ele olha para a personagem da Alice Braga e diz: - Piriguete ....)

Wagner Moura, - Por que não eu??


Não entendo quem diz que as mulheres são impossíveis de agradar.....

domingo, 27 de maio de 2012

MOmeNtOs ...


Já falei sobre o álbum “simplesmente eu” aqui no blog. Na minha -nada venenosa- opinião, esse é o álbum mais brega e sem noção que as pessoas criaram. Mas é claro, não existe merda única e sim um caminhão delas. Então para acompanhar o “simplesmente eu” as pessoas criaram o álbum “momentos” .

Devo alertar, esse álbum é um atentado ao bom gosto. Vou dar uns exemplos do que encontrará por lá:

1. Foto de churrasco onde os presentes estarão bêbados e sairão com um olho fechado e outro aberto -tipo pirata-, boca aberta, fazendo “joinha” e etc. E aproveite para reparar que a mesa está coberta com uma toalha florida de plástico e uma garrafa de vinho Campo Largo.
2. A foto do cachorro caolho ou qualquer cachorro feio, pulguento e sujo. Por que as pessoas não arrumam um pouco o animal doméstico antes de fotografá-lo?
3. Como se não bastasse o familiar ser feio de doer, o dono do álbum ainda escolhe a pior fotografia, com o pior ângulo do parente para postar.
4. Repare nas fotos em que as pessoas estão no sofá. Perceba que ele está coberto com uma espécie de lençol (que é tirado só em dia de visita) e ainda tem horrendas almofadas com bordados de fuxico.
5. Fotos onde o ser está em contato com a natureza, olhando para o horizonte, numa pose esquisita (e no ar fica aquela frase: Pronto, já bateu a foto?)
6. Fotos da casa da praia. Atenção ao detalhe dos maiôs desbotados. E do acabamento malfeitos das casas.
7. Rá, uma foto da farofada na praia.
8. Bailão sertanejo: Mulheres usando um tomara que caia justo com as banhas pulando para fora da calça e um chapéu de caubói segurando uma latinha de sub zero ou bavária.
9. Pior, fotos de mulheres fazendo biquinho com as amigas
10:Fotos onde todos os presentes estão ridículos e querem vender que a coisa foi divertida.

É uma pena não poder agradecer todas as pessoas que colaboraram - indiretamente - com este post.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Não despreze as asas que tem


Sou daquelas pessoas que dão asas à quase todas as suas loucuras, esquisitices e desejos secretos. Não consigo ficar na vontade. Não gosto. Mas para ser sincera, já me ferrei a beça por ser assim. A vida costuma ser bastante impiedosa com aqueles que desafiam as suas vontades.

Não aconselho ninguém a fazer metade das insanidades que fiz. Mas acho que ter uma vida previsível demais também deve ser muito sem graça.

A gente vive uma vez só. E ainda assim, não sabemos quanto tempo essa vida vai levar. Pode ser 80 anos ou 80 dias.

E da vida que se teve, o que de fato foi vivida?

É por isso que eu não aceito, não concordo e não entendo quem aceita uma vida ou menos. Não entendo quem se casou com o 1o namorado, quem nunca tomou um porre e quem não tem nem um mísero arrependimento. Não entendo quem nunca jogou tudo por alto por uma paixão (mesmo que tenha sido para quebrar a face) e quem nunca correu atrás de um sonho, um desejo ou apenas uma certeza. Não entendo quem nunca foi até determinado lugar só para ver algo (ou alguém) com seus próprios olhos. Quem nunca chorou no escuro, tentando amenizar um sofrimento. Quem nunca se orgulhou do próximo. Quem nunca tentou abraçar o mundo. Ou ajudar alguém. Quem nunca foi em uma exposição de arte sem ter a menor ideia do que iria encontrar. Quem nunca comeu quiabo. Quem nunca aprendeu com os próprios erros.

Não entendo quem não tem nada para contar. Essa conversa de se casou e viveu feliz para sempre como as princesas de contos de fadas é muito chata. Eu quero sangue correndo na veia, coração batendo forte e adrenalina. Mesmo que isso me cause uma úlcera um dia.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Namorando narciso

Concordo, devemos procurar nossos semelhantes. Nada mais insuportável do que namorar um cara esportista quando o meu programa favorito é ir para o bar. Nada pior do que ser obrigada a curtir uma noitada de sertanejo universitário ou, pior, muito pior, ouvir conversa chata de gente que tem papos do tipo bolsa de valores, imóveis ou política.

Mas uma coisa é procurar um semelhante. Outra bem diferente é achar uma versão sua no sexo oposto (ou no mesmo sexo, se o seu negócio é esse). Acho interessante (num tom irônico) aqueles casais que se vestem iguais (camisa de banda, time ou xadrez e tênis all star) e principalmente tem os mesmos hobbies, tipo ter um estilo de vida meio hippie ou serem fanáticas por fotografias. Fico me perguntando se:

a) Quem ali está copiando o estilo do parceiro;
b) Será que eles se telefonam antes de sair para saber qual a roupa que o outro vai?;
c) Algum dos dois (ou os dois) sofrem de um narcisismo doentio a ponto de achar que a única pessoa boa o bastante para estar ao seu lado seria uma versão sua?

Uma coisa é eu querer um cara que curta rock e cerveja. Outra bem diferente é eu querer um sujeito que se vista como eu ou passe a gosta de arte surrealista. Gosto de originalidade. Odeio gente óbvia e sem personalidade.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A máquina de sonhos


Quando "..." me deixou, dormir passou de uma necessidade básica para luxo. E quando eu conseguia, ele, "...", invadia meus sonhos.

As vezes era só a imagem dele tocando violão. Em outras, dizia se arrepender de ter ido embora e que queria ficar um pouco mais. Houve sonhos em que "..." era firme na decisão tomada e em outros -raríssimos- era como se nunca tivesse me deixado e esse buraco em mim nunca existisse.

Os sonhos eram tão reais que dava para sentir o cheiro dele e toda a emoção -indecifráveis- que eu sentia quando o tocava. Mas aos poucos esses doces sonhos foram se tornando menos frequentes. Passaram de duas vezes na semana, depois uma … até que pararam de existir.

Se alguma força do além me garantisse sonhar com ele todas as noites, acho que eu conseguiria ter mais qualidade de vida naquela época. E talvez eu bebesse menos também.

A verdade é que sonhar com "..." me confortava e me dava um pouco de paz, prazer ou qualquer sentimento bom que tivesse disponível no momento.

Meu sonho de consumo era um programados de sonhos. Um aparelhinho onde eu escolheria com o que ou com quem queria sonhar. Assim teria ele todas as noites. Não dá forma convencional, eu sei. Mas antes uma forma diferente do que forma nenhuma.

Pensando bem, nada mais justo essa maquininha. A gente já se quebra tanto durante o dia, o certo seria sonhar com o que irá (ou iria, o já fez ou qualquer tempo verbal que não tenha nada a ver com presente ou futuro) nos fazer feliz, mesmo que seja por alguns instantes.

As vezes eu acho que posso escrever mil textos, mas nunca nenhum deles irá traduzir a dor de ver alguém que a gente gosta ser levado embora. Eu não sei como é ser a pessoa escolhida, mas conheço bem o que é ser aquela deixada de lado.